Descrição da imagem

Homossexualitatis Et Ecclesiae | Dicastério para o Clero

RECOMENDAÇÃO PASTORAL

HOMOSSEXUALITATIS ET ECCLESIAE
DO DICASTÉRIO PARA O CLERO
SOBRE A HOMOSSEXUALIDADE
NA IGREJA E NO CLERO

Prot. N.º 058/2025 


28 de outubro de 2025,

Cidade do Vaticano.


1. Queridos irmãos e irmãs, a graça e a paz do Senhor estejam com todos nós. Tendo em vista alguns acontecimentos, e pensando no bem da igreja, reunimo-nos em torno da Palavra de Deus e da doutrina da Igreja, que nos chama a viver uma vida de santidade e entrega, mesmo em meio a desafios e questões complexas como a vivência da sexualidade humana. Nossa vocação cristã nos convida a trilhar o “caminho de Cristo”, aquele que nos leva à vida plena e à comunhão com Deus (CIC 1696). Diante desse chamado, enfrentamos a necessidade de refletir com amor e seriedade sobre o tema da homossexualidade e a forma como devemos viver nossa fé e nossa identidade diante de Deus.


2. A Igreja, nossa Mãe, é acolhedora e misericordiosa, e deseja sempre que cada um de seus filhos e filhas cresça em santidade. Ela nos ensina que todos os caminhos que escolhemos em nossa vida têm um impacto profundo em nosso relacionamento com Deus e, portanto, em nossa salvação. Como nos diz o Catecismo da Igreja Católica (CIC), as escolhas morais que fazemos têm um peso eterno. É nossa responsabilidade buscar sempre o caminho que conduz à vida, aquele que nos aproxima de Deus, em detrimento dos caminhos que possam nos afastar da Sua graça (CIC 1697).

3. O tema da homossexualidade requer, portanto, uma compreensão profunda e misericordiosa. A Igreja, apoiando-se na Sagrada Escritura e na tradição, reafirma que os atos homossexuais não são compatíveis com a ordem natural estabelecida por Deus, pois eles fecham o ato sexual ao dom da vida e não procedem de uma verdadeira complementaridade afetiva e sexual (CIC 2357). Com isso, a Igreja não rejeita a pessoa homossexual, mas convida-a a viver a castidade como um caminho de santidade e perfeição cristã.

4. O Papa Francisco, que tanto nos inspira com sua simplicidade e profundidade pastoral, nos lembra de que a Igreja não é uma seita “seletiva” ou de “sangue puro”. Ela é a Santa Madre Igreja, que acolhe a todos e que oferece a todos o convite à santidade (CIC 2359). A misericórdia de Deus não é limitada, e, diante de cada pessoa, Ele olha para o coração e vê a intenção de buscar o bem. Francisco enfatiza que, se alguém busca o Senhor com sinceridade e deseja viver em boa vontade, não há espaço para julgamentos que exijam exclusão, mas sim para um acolhimento que conduz ao crescimento espiritual.

5. A castidade, especialmente para aqueles que enfrentam a experiência da atração pelo mesmo sexo, é um desafio, mas também uma via de encontro com o próprio Senhor. Por meio da virtude do autodomínio e da educação da liberdade interior, a pessoa homossexual é chamada a viver a castidade como expressão de sua dedicação a Deus. Esse é um caminho que nos exige esforço e apoio, que se fortalece pela oração, pelo sacramento da confissão e pela amizade desinteressada que a comunidade cristã deve oferecer.

6. É importante, portanto, que como Igreja saibamos acolher nossos irmãos e irmãs que vivenciam a homossexualidade, oferecendo-lhes um ambiente de apoio e compreensão. Eles também são parte integrante da família de Deus e são chamados, assim como todos nós, à vida em Cristo. Cabe a cada um de nós compreender que o silêncio e o sofrimento não devem ser companheiros da vida cristã; ao contrário, a Igreja oferece a possibilidade de compartilhar suas lutas e de buscar, junto à comunidade, o apoio necessário para caminhar com fidelidade.

7. Sabemos que o pecado e o perdão formam o coração da catequese da Igreja. A consciência de nossos pecados nos ajuda a enxergar a necessidade de transformação e o poder renovador do perdão de Deus (CIC 1697). Assim, o reconhecimento de nossas próprias limitações nos torna mais humildes e misericordiosos uns com os outros. Todos somos pecadores, todos carecemos da graça e do perdão, e todos temos o desafio de nos converter diariamente ao Evangelho.

8. Como cristãos, somos chamados a refletir sobre a beleza das virtudes humanas e sobre o valor de uma vida virtuosa. A prática do bem e a busca da perfeição cristã são os caminhos que Deus nos indica para alcançar a paz e a verdadeira felicidade. A Igreja, ao ensinar a importância da castidade para as pessoas homossexuais, aponta para essa realidade: o autodomínio e a vivência das virtudes são o caminho que nos conduz à liberdade interior e à comunhão com Deus.

9. Portanto, ninguém é chamado a viver no isolamento ou na vergonha. Deus conhece cada coração, e Ele mesmo nos ensina a caminhar juntos na fé. Como Igreja, devemos oferecer a todos o auxílio necessário para que cada pessoa possa viver a castidade e a santidade. E isso inclui um compromisso de oração, amizade e apoio fraterno, sem qualquer tipo de discriminação.

10. Recordemos, mais uma vez, as palavras do Papa Francisco: “Quem sou eu para julgar?”. Se alguém busca o Senhor e deseja viver com boa vontade, nossa tarefa não é rejeitá-lo, mas ajudá-lo a encontrar em Deus a força para viver em santidade. A Igreja é casa de todos, e cabe a nós, como membros dessa casa, zelar para que todos se sintam acolhidos, respeitados e incentivados a viver em comunhão com Cristo.

11. Convido cada um de vocês a meditar sobre o chamado de Cristo à santidade e a abrir o coração para acolher a todos, vivendo as virtudes do autodomínio e da misericórdia, e sempre buscando a perfeição cristã. Que o amor de Deus, que é mais forte do que qualquer fraqueza humana, seja a nossa luz e a nossa guia. Para maior glória de Deus,


 Edgard Costa Bergoglio
Praefectus

SUMOS PONTÍFICES