PIUS EPISCOPUS
SERVUS SERVORUM DEI
AD PERPETUA REI MEMORIAM
CARTA ENCÍCLICA
"SUPERBIA EPISCOPORUM"
DO SUMO PONTÍFICE PIO PP. II
AOS PATRIARCAS, PRIMAZES, ARCEBISPOS, BISPOS E A TODOS OS ORDINÁRIOS EM PAZ E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA
SOBRE A AMBIÇÃO EPISCOPAL, A CORRUPÇÃO DA CARIDADE PASTORAL, A BUSCA DE PODER E A PRETENSÃO ILEGÍTIMA AO TRONO APOSTÓLICO
Veneráveis Irmãos,
saúde e bênção apostólica.
INTRODUÇÃO
Nossa missão, recebida de Cristo Pastor Supremo, obriga-nos a velar com vigilância infatigável sobre a pureza do ministério pastoral. Em tempos nos quais muitos se entregam com admirável zelo à evangelização, consolando os pobres, iluminando as consciências e dignificando a liturgia, surgem também sombras espessas que tentam obscurecer a luz do Evangelho.
Entre essas sombras, despontam comportamentos indignos do episcopado: ambição por cargos, busca de influência, desejo de domínio sobre presbíteros, religiosos, abades e fiéis; e, de modo particular, a sutil tentação que outrora derrubou soberbos de se insinuar como sucessor do atual Pontífice, como se a Igreja de Cristo fosse governada por jogos de poder e não pela eleição assistida de Deus.
Não podemos tolerar tais males. O silêncio diante deles seria cumplicidade, e a negligência, verdadeira traição ao depósito que nos foi confiado. Com esta Carta, queremos manifestar com clareza a gravidade do perigo e oferecer à Igreja remédios eficazes.
I. DA NATUREZA DO MAL E SUAS MANIFESTAÇÕES
1. Observamos, com dor, alguns bispos que colocam o ministério acima do Evangelho, transformando o episcopado em degrau para ambições humanas. Apenas falam de “promoções”, “lugares de influência”, “transferências estratégicas”, como se a diocese fosse empresa e não esposa de Cristo.
2. Há quem busque com inquietante ardor cargos na Cúria, não por amor ao serviço, mas por desejo de proximidade com o poder. Procuram montar alianças, exercer pressão, manipular impressões, apresentar relatórios tendenciosos e cultivar lealdades interessadas tudo com o objetivo de se projetar.
3. Alguns, mais seduzidos pelo espírito do mundo, tentam criar correntes de influência: reúnem grupos, alimentam intrigas, fomentam rivalidades entre presbíteros e religiosos, procurando ser vistos como “indispensáveis” à Igreja universal. Procuram a aprovação de meios civis e políticos, e se deixam cortejar por honrarias exteriores.
4. Há ainda aqueles que operam com ambição mais perigosa: a de se posicionar publicamente como possível sucessor do Papa reinante. Uns se deixam celebrar por aduladores; outros dão entrevistas insinuando “visões para a Igreja universal”; alguns fazem viagens e convênios internacionais com intenção de autopromoção. Esta é a mais grave de todas as tentações episcopais: antecipar-se à vontade divina e tentar impor-se como herdeiro da Sé Apostólica.
5. E outros, além disso, abusam da autoridade episcopal para submeter presbíteros ao medo, abafar o carisma dos religiosos, interferir indevidamente em eleições monásticas, e reprimir aqueles que, por fidelidade a Cristo, se recusam a apoiar tais jogos de poder.
II. DAS CONSEQUÊNCIAS PARA A IGREJA
6. A ambição por cargos transforma o ministério em arena de conflitos, obscurecendo o testemunho evangélico. Onde o bispo busca poder, os presbíteros se dividem, e os fiéis se escandalizam.
7. A busca de influência na Cúria desvirtua a própria finalidade dos organismos romanos: ao invés de serem instrumentos de comunhão, tornam-se objetos de disputa, sujeitando a Igreja à lógica mundana.
8. A tentativa de insinuar-se como sucessor do Papa cria um clima de política eclesiástica reprovável, confundindo o povo, gerando facções e tirando de Deus aquilo que pertence somente a Ele: a eleição do Sucessor de Pedro.
9. Abades, superiores religiosos e presbíteros tornam-se vítimas de manipulações, remoções injustas, acusações infundadas e restrições arbitrárias. A vida consagrada enfraquece, o zelo pastoral se esfria, e as dioceses sofrem.
10. Finalmente, quando o episcopado se divide entre ambição e medo, toda a Igreja se fragiliza. O escândalo abala vocações, fere consciências e rompe a confiança que deveria unir o rebanho ao pastor.
III. DAS RAÍZES PROFUNDAS DESSES DESVIOS
11. A principal raiz é a perda da vida interior. Quem deixa de orar busca compensar o vazio com o poder.
12. Outra causa é o clericalismo de novo tipo, que se manifesta não pela pompa externa, mas pela política interna: negociações, jogos de influência, pactos implícitos.
13. A formação insuficiente também contribui: há quem subiu ao episcopado sem sólida teologia espiritual, sem virtudes provadas, sem maturidade emocional e sem desapego dos próprios interesses.
14. Contribui ainda o louvor humano: ambientes que tratam bispos como celebridades, jornalistas que os exaltam como candidatos ao papado, grupos que os envolvem em campanhas de autopromoção.
IV. REMÉDIOS
15. Ordenamos que se promova, em todas as dioceses e conferências episcopais, um exame sério de consciência sobre a forma de exercer a autoridade.
16. Bispos que buscarem cargos por pressão ou ambição deverão ser afastados de tais processos. Cargos na Cúria não são prêmio, mas serviço. Quem os deseja ardentemente já se mostra indigno deles.
17. Que se reforce entre os bispos a regra de ouro: quem fala ou age como “possível sucessor do Papa” é, por isso mesmo, indigno de sê-lo. A vocação ao papado não se busca, não se promove e não se insinua.
18. Nas dioceses, determinem-se normas claras para evitar abusos de poder: a proteção aos presbíteros injustamente punidos; garantia da autonomia legítima dos mosteiros; exigência de consulta antes de remoções; processos transparentes.
19. Na Cúria Romana, que se adotem critérios ainda mais rigorosos para cargos sensíveis: somente aqueles que demonstrarem humildade, obediência e desapego poderão exercê-los.
20. Incentive-se a correção fraterna entre os próprios bispos: o silêncio complacente é cúmplice do mal.
V.EXORTAÇÃO FINAL
21. Veneráveis Irmãos, guardai o coração. Não permitais que a ambição, o desejo de cargos, o culto da própria imagem ou a ânsia pelo pontificado destrua o ministério recebido pela imposição das mãos. Lembrai-vos: somos sucessores dos Apóstolos, não de príncipes.
22. Os que hoje se inflamam por poder, amanhã se consumirāo em cinzas. Mas os que servem, esses reinarão com Cristo.
23. Que todos compreendam: a Igreja tem um só Papa, escolhido no tempo de Deus; e quem tenta antecipar essa eleição, insinuando-se ao trono apostólico, comete pecado grave contra a comunhão e escândalo para o povo.
Dado em Roma, junto a São Pedro, no dia 23 de novembro do Ano do Senhor de 2025, no pontificado de Pio PP. II.
PIO PP. II
Com a Nossa Bênção Apostólica sobre todos os que servem com humildade e verdade.
