Prot. N.º 090/2025
Amados irmãos no ministério,
o Dicastério para o Clero dirige esta exortação com sincera solicitude pastoral, movido pelo desejo de que cada presbítero, diácono e servidor do Povo de Deus permaneça fiel à verdade do Evangelho e à integridade do ministério recebido, não por mérito humano, mas por pura graça do Senhor.
Nos últimos tempos, chegam-nos, com profundo pesar, sinais de atitudes que ferem a comunhão, obscurecem o testemunho e diminuem a credibilidade da missão confiada aos ministros ordenados. Entre tais feridas, destacam-se a soberba espiritual, a ganância velada, a ambição por posições de prestígio e as práticas de troca de favores, especialmente no âmbito das nomeações e responsabilidades eclesiásticas.
A soberba — essa velha tentação que pretende substituir a humildade do serviço pela vaidade do protagonismo — está sempre à espreita. Ela se manifesta sutilmente, seja quando o ministro se julga superior aos irmãos, seja quando procura impor sua própria vontade acima do discernimento comunitário e da orientação da Igreja. A soberba espiritual transforma a missão em palco, e o altar em pedestal. Por isso, o Senhor nos lembra: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”. A humildade não é uma virtude opcional; é o solo onde floresce o verdadeiro ministério.
Junto dela, cresce frequentemente a tentação da ganância, que não se manifesta apenas no amor ao dinheiro, mas na busca por benefícios, tratamentos privilegiados, facilidades indevidas, conforto exagerado ou seguranças materiais que ofuscam a pobreza evangélica. Não é a riqueza que condena, mas o coração que se apega ao que não pertence ao Reino. Quando o ministro do altar começa a negociar favores, a calcular vantagens ou a medir seu serviço por recompensas humanas, o testemunho sacerdotal se torna opaco e o rebanho se escandaliza.
Exortamos ainda, com veemência fraterna, que se combata toda forma de ambição no interior da Igreja. O ministério não é carreira; é vocação. Não é chance de ascensão; é descida ao serviço. Aquele que busca cargos, honrarias ou influência, não para edificação do Corpo de Cristo, mas para promoção pessoal, rompe a lógica do Evangelho. Todo desejo de poder clerical é antígeno espiritual que enfraquece a saúde da comunidade e fere o coração de Cristo Servidor.
Por isso, advertimos com clareza: as recomendações indevidas, interferências impróprias e pressões para nomeações e funções pastorais constituem grave desordem moral e canônica. O pastor não deve buscar ser escolhido, mas estar disposto a servir onde for enviado. Quando o critério de decisão deixa de ser o discernimento do Espírito Santo e passa a ser a reciprocidade de favores, a Igreja se torna refém de interesses menores e perde sua voz profética.
Além disso, denunciamos a prática de “fazer algo para receber algo em troca”, como se a vida pastoral fosse moeda de troca ou rede de conveniências. A gratuidade é essência do amor cristão. O ministro que condiciona sua dedicação a benefícios futuros trai a lógica do Bom Pastor, que dá a vida sem esperar retribuições. Nada destrói mais rapidamente a confiança dos fiéis do que perceber que seu pastor age por cálculo e não por doação.
Convidamos, portanto, todos os ministros, do mais jovem ordenado ao mais experiente pastor, a um exame profundo de consciência, à conversão sincera e ao retorno à simplicidade do Evangelho. A Igreja precisa de ministros transparentes, desprendidos, obedientes e livres da sombra da vaidade clerical. Recordemos: o Senhor não nos pedirá contas do sucesso, mas da fidelidade; não da influência, mas do amor; não do poder exercido, mas do serviço oferecido.
Que Maria, Mãe dos sacerdotes, nos ajude a viver com autenticidade a pureza de intenção e a humildade do serviço.
Sem mais, despeço-me,