Prot. N.º 091/2025
Caríssimos irmãos em caminho vocacional e ministerial,
o Dicastério para o Clero dirige esta segunda palavra com preocupação materna e sincero zelo pastoral. A missão da Igreja exige homens vigilantes, generosos, bem formados e operosos na caridade pastoral. Entretanto, observamos com inquietação o crescimento de uma grave enfermidade espiritual e pastoral: a inatividade, que afeta seminaristas, diáconos e até mesmo sacerdotes no exercício de seu ministério.
A vocação não é repouso; é missão. Não é concessão de honra; é convite a gastar a vida. No entanto, muitos, em diversas regiões, têm sucumbido à tentação do comodismo pastoral, da apatia espiritual, da superficialidade na vida de oração e da indiferença diante das necessidades da comunidade. Não poucos seminaristas reduzem sua formação a estudos mínimos, evitação de responsabilidades e excesso de distrações. Alguns diáconos permanentes ou transitórios assumem a ordenação como um título e não como serviço concreto ao povo. E há presbíteros que, embora ordenados para “curar, ensinar e conduzir”, acabam recolhidos em rotinas estéreis, atividades restritas e agendas quase vazias de vida missionária.
Esta inatividade pastoral é perigosa porque mata silenciosamente. Ela desertifica a vida interior, atrofia o zelo apostólico e, com o tempo, transforma o ministro em funcionário religioso. Aquele que não reza, não estuda, não visita, não acompanha, não evangeliza e não serve, começa a perder o gosto pela própria vocação. A fé se torna teoria, a liturgia se torna hábito, a pastoral se torna peso.
A inatividade espiritual, por sua vez, abre portas para outras tentações ainda mais graves: busca de prazeres imediatos, imersão em entretenimentos vazios, negligência no discernimento moral e perda da identidade sacerdotal. Quando o coração não se ocupa com o bem, acaba sendo ocupado por aquilo que não edifica.
Também alertamos para a inatividade intelectual. Um ministro que não se forma continuamente, não reflete, não se atualiza, não aprofunda a doutrina e não estuda as necessidades de seu povo, torna-se incapaz de oferecer respostas sólidas e confiáveis. A formação permanente não é luxo; é responsabilidade pastoral.
Por isso, conclamamos os seminaristas: assumam sua formação com dedicação, disciplina e amor pela Igreja. O seminário não é espaço de espera, mas de crescimento. Não tolerem a mediocridade espiritual ou acadêmica. Quem não é fiel no período de formação dificilmente o será no ministério.
Aos diáconos — especialmente os transitórios — pedimos que vivam seu ministério com ardor e compromisso. O diaconato não é etapa burocrática, é exercício real de caridade, palavra e liturgia. Deixem que o serviço formate o coração.
Aos sacerdotes, suplicamos: retomem o vigor pastoral. Redescubram a beleza de visitar casas, escutar confissões, estar entre os pobres, ensinar com paciência, celebrar com reverência e guiar com sabedoria. A inatividade pastoral nunca nasce de um único dia de descanso, mas de muitos pequenos abandonos acumulados ao longo do tempo.
O povo de Deus tem sede de pastores vivos, presentes, zelosos e apaixonados por Cristo e pela missão. A Igreja não precisa de ministros omissos, mas de homens inflamados pelo Espírito. Recordemos: o tempo da Igreja não é o tempo da estagnação, mas o tempo da missão permanente.
Que o Espírito Santo reacenda em cada um o ardor da vocação e cure toda forma de acomodação e indiferença. E que São João Maria Vianney, patrono dos sacerdotes, interceda para que sejamos ministros incansáveis na caridade pastoral.
Sem mais, despeço-me,