PIUS EPISCOPUS
SERVUS SERVORUM DEI
AD PERPETUA REI MEMORIAM
Colocados, ainda que indignos, sobre a atalaia da Igreja militante, guardamos no coração pastoral o cuidado por todas as Igrejas, para que, ordenadas com sabedoria e fortalecidas na caridade, resplandeçam como cidades postas sobre o monte e façam ecoar, como sinos de ouro, o louvor do Nome de Deus até os confins da terra.
Desde os primórdios da fé cristã nesta terra abençoada do Brasil,
a Igreja que floresceu em São Salvador da Bahia
ergueu-se como porta do Evangelho,
primeira lâmpada acesa nas praias do Novo Mundo, berço de fé, de martírio, de missão e de esperança.
“Ubi abundavit gratia, superabundavit et fides.”
Onde abundou a graça, ali superabundou também a fé.
Considerando, pois, o crescimento espiritual do povo fiel, a maturidade eclesial do clero, a fecundidade das vocações e a singular missão histórica, cultural e evangelizadora da Diocese de São Salvador da Bahia, julgamos justo, oportuno e salutar elevá-la a mais alta dignidade hierárquica, para maior glória de Deuse mais firme edificação do Corpo de Cristo.
Por isso, com a autoridade de Deus Todo-Poderoso,
dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo,
e pela plenitude do poder apostólico que nos foi confiado,
“De certa scientia et matura deliberatione”,
com ciência certa e madura deliberação,
ELEVAMOS, ERIGIMOS E CONSTITUÍMOS
a até agora Diocese de São Salvador da Bahia
como ARQUIDIOCESE METROPOLITANA,
dotada de todos os direitos, honras, precedências e prerrogativas
que o direito canônico confere às Igrejas metropolitanas.
“In Archidioecesim erigimus et metropolitanae dignitatis titulo decoramus.”
Declaramos esta Igreja Sé Metropolitana, chamada a resplandecer como ouro purificado no fogo, como montanha firme onde a fé encontra abrigo, como sino que convoca, consola e envia.
E para que esta nova dignidade seja servida
com zelo apostólico, mansidão pastoral e firmeza doutrinal,
NOMEAMOS, CONSTITUÍMOS E PROCLAMAMOS
como PRIMEIRO ARCEBISPO METROPOLITANO DE SÃO SALVADOR DA BAHIA
DOM GREGÓRIO MONTEIRO TAVARES,
a quem confiamos o báculo da caridade,
a cátedra da verdade
e o cuidado vigilante do rebanho do Senhor.
“Accipe Ecclesiam, non ut domineris, sed ut serves;
non ut exalteris, sed ut te impendas.”
Recebe a Igreja, não para dominares, mas para servires;
não para te elevares, mas para te doares.
Concedemos-lhe todas as faculdades, direitos e deveres inerentes ao ofício metropolitano,
exortando-o a ser pai dos pobres, mestre da fé, guardião da unidade, e sinal visível da presença de Cristo Bom Pastor.
Exortamos o clero, os religiosos e todo o povo fiel desta Arquidiocese a permanecerem firmes na fé recebida, ricos na caridade fraterna e constantes na esperança, “Ut Ecclesia floreat, fides ardeat, caritas regnet.” Para que a Igreja floresça, a fé arda e a caridade reine.
Que Maria Santíssima, invocada sob o título de Nossa Senhora da Conceição, padroeira amada desta terra, interceda por esta Arquidiocese nascente em dignidade.
Determinamos que tudo quanto foi aqui estabelecido seja válido, firme e perpétuo,
não obstante qualquer disposição em contrário.
“Si quis autem hoc attentare praesumpserit,
indignationem Omnipotentis Dei
et Beatorum Apostolorum Petri et Pauli se noverit incursurum.”
Dado em Roma, junto a São Pedro,
no dia oito de janeiro do Ano do Senhor de dois mil e vinte e seis,
do Nosso Pontificado, durante o jubileu extraordinário.
✠Pius Pp. II
