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Bula "Pastor Bonus in Terra Domini" Do Papa Pio II sobre nomeação de um novo Patriarca Latino para Jerusalém

PIUS EPISCOPUS
SERVUS SERVORUM DEI
AD PERPETUA REI MEMORIAM

Bula "Pastor Bonus in Terra Domini"
Do Papa Pio II sobre nomeação de
um novo Patriarca Latino para Jerusalém


O Pastor Supremo, eterno e indefectível das almas, Nosso Senhor Jesus Cristo, que, no arcano e inefável desígnio da Providência divina, Se dignou, na plenitude dos tempos, assumir a natureza humana, elevando-a à participação da vida divina, e que, consumada a obra da Redenção no sacratíssimo lenho da Cruz, confiou à Sua Igreja o encargo augusto de perpetuar, através dos séculos, os frutos perenes de tão admirável mistério, continua, por disposição sapientíssima, a reger e a governar o Seu rebanho mediante ministros visíveis, constituídos como fiéis dispensadores dos mistérios celestes, vigilantes guardiães da ortodoxia e diligentes cooperadores da verdade salvífica.

Assim, aqueles que, por singular beneplácito divino, são elevados à eminência do múnus pastoral, tornam-se participantes, de modo arcano e sublime, do próprio cuidado solícito d’Aquele que é o Príncipe dos Pastores, sendo chamados a exercer, não apenas com diligência exterior, mas com íntima conformação de espírito, o governo das almas, orientando-as com prudência esclarecida, fortaleza invicta e caridade ardentíssima.

Entre as Igrejas particulares, cuja dignidade se distingue tanto pela veneranda antiguidade quanto pela relevância espiritual, ocupa lugar absolutamente singular e incomparável o Patriarcado Latino de Jerusalém, que, enraizado na própria Terra do Senhor — santificada pelos augustíssimos mistérios da Encarnação do Verbo, da Paixão redentora e da gloriosíssima Ressurreição —, se apresenta como perene testemunho da economia salvífica e como farol luminoso para todas as nações.

Naquela Cidade sacratíssima, onde resplandeceu com singular fulgor a manifestação histórica do Verbo encarnado, onde o sacrifício da Cruz alcançou sua consumação redentora e onde o sepulcro vazio proclamou ao mundo a vitória definitiva sobre a morte, a Igreja, desde os seus primórdios, encontrou o seu berço visível e o seu primeiro florescimento, tornando-se, por isso mesmo, centro espiritual de incomensurável significado e fonte inexaurível de graça para todos os fiéis.

Não nos são desconhecidas, contudo, as complexas vicissitudes históricas, as provações recorrentes e as tensões persistentes que, ao longo dos séculos, têm marcado aquela região, exigindo, com particular urgência, a presença de um pastor dotado de prudência consumada, discernimento clarividente, fortaleza inquebrantável e espírito de reconciliação, capaz de sustentar o povo de Deus em meio às adversidades e de promover, com incansável zelo, a paz, a justiça e a concórdia entre os povos.

Por isso, movidos pela gravíssima responsabilidade que, por misteriosa disposição divina, pesa sobre Nós no governo universal da Igreja, e após detida reflexão, madura deliberação e diligente ponderação das circunstâncias presentes, bem como das necessidades espirituais do Patriarcado Latino de Jerusalém, tendo ainda considerado com particular atenção as virtudes insignes, a comprovada integridade de vida, a solidez doutrinal e o ardor apostólico daquele que julgamos digno de tão excelso e gravíssimo encargo,

pela autoridade do Deus Onipotente, dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo e pela nossa,

Nomeamos, Instituímos, Constituímos, Elevamos e solenissimamente Proclamamos

o venerável irmão Dom Gonçales, da Santa Igreja Romana Cardeal Bessette,
Patriarca Latino de Jerusalém,

confiando-lhe o governo pastoral daquela Igreja venerável e concedendo-lhe, em toda a sua plenitude, os direitos, honras, faculdades, privilégios, prerrogativas e obrigações inerentes a tão sublime dignidade, em conformidade com as prescrições do direito canônico, as legítimas tradições eclesiásticas e os costumes veneráveis sancionados pelo uso secular.

Exortamo-lo, ademais, com veemência paternal e solicitude apostólica, a que, conformando-se cada vez mais perfeitamente ao modelo do Bom Pastor, desempenhe o ministério que lhe é confiado com vigilância indefessa, prudência sapientíssima e caridade verdadeiramente pastoral; seja intrépido na defesa da verdade, constante na promoção da justiça, solícito no amparo dos necessitados, diligente na edificação da comunhão eclesial e incansável artífice de reconciliação entre aqueles que se encontram divididos, para que, sob a sua guia, a Igreja que peregrina na Terra Santa resplandeça com renovado vigor na santidade de vida, na unidade da fé e na fecundidade das obras.

Queremos ainda e expressamente determinamos que ele exerça, com particular zelo e reverência, a custódia dos Santos Lugares, insignes testemunhos da presença histórica do Verbo encarnado, de modo que, preservados com dignidade, veneração e cuidado assíduo, continuem a ser fontes perenes de inspiração espiritual, conversão interior e renovação da fé para todos os que, movidos por piedosa devoção, ali acorrem de todas as partes do mundo.

Determinamos, finalmente, que a presente Carta Apostólica seja, em todas as suas partes, firme, estável, válida, eficaz e irrevogável, agora e no futuro, não obstante quaisquer constituições, ordenações, privilégios ou disposições em contrário, ainda que dignas de menção especialíssima e expressa, às quais, na medida do necessário, derrogamos com plena autoridade apostólica.


Dado e passado em Roma, aos vinte e um dias do mês de abril, no Ano da Missão de dois mil e vinte e seis, segundo de nosso pontificado, durante o Jubileu Extraordinário de cinco anos de nossa comunidade.

✠Pius Pp. II

SUMOS PONTÍFICES