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Exortação Pastoral | Dicastério para o Clero

 

Prot. N.º 202/2026

EXORTAÇÃO PASTORAL

'O PECADO NÃO DEVE HABITAR ENTRE NÓS'


Cidade do Vaticano
13 de Maio de 2026.

A todos os clérigos, ministros, servidores do altar e homens confiados ao serviço de Deus nesta comunidade: recebam esta séria exortação espiritual, para reflexão profunda da consciência e conversão sincera do coração.

Recordemos, antes de tudo, que nenhuma veste sagrada, nenhum título e nenhuma função eclesiástica são capazes de esconder aquilo que Deus vê no oculto. Podemos aparecer diante dos homens como figuras piedosas, disciplinadas e exemplares, mas o Senhor conhece o interior de cada alma. Aqui somos representados por um personagem quadrado, por uma imagem externa, por uma figura pública; contudo, atrás desse personagem existe um ser humano real, frágil, pecador e constantemente tentado pelas paixões deste mundo.

Muitos estão preocupados com aparência, posição, honra, reconhecimento e autoridade, mas esquecem da santidade. Muitos desejam ser vistos, admirados e exaltados, porém poucos desejam morrer para si mesmos. O ministério não é palco para vaidade, nem instrumento de orgulho. O altar não é lugar para alimentar ego, desejos carnais ou ambições pessoais. O altar é lugar de sacrifício, renúncia, disciplina e temor de Deus.

O pecado não pode mais ser tratado como algo pequeno dentro de nossa caminhada. Pecado continua sendo ofensa contra Deus. Pecado continua destruindo almas. Pecado continua afastando o homem da graça divina. E o mais perigoso de tudo é quando o homem se acostuma com ele, quando perde o remorso, quando já não sente vergonha de cair repetidas vezes nos mesmos erros.

Há muitas pessoas lutando secretamente contra desejos impuros, vícios ocultos, soberba, mentira, falsidade, arrogância, escândalos, palavras ofensivas e falta de caridade. E esta exortação não vem para humilhar ninguém, mas para despertar consciências adormecidas. Ainda há tempo para abandonar aquilo que desagrada ao Senhor.

A Sagrada Escritura diz: “Porque a carne tem desejos contrários ao espírito, e o espírito desejos contrários à carne."

Não podemos servir a Deus e ao mesmo tempo alimentar os prazeres da carne. Não podemos anunciar santidade vivendo em desordem espiritual. Não podemos corrigir os outros enquanto nos recusamos a corrigir a nós mesmos.

O verdadeiro clérigo não é aquele que possui apenas conhecimento, títulos ou autoridade. O verdadeiro servo de Deus é aquele que luta diariamente contra si próprio. É aquele que cai, mas se arrepende sinceramente. É aquele que combate seus desejos desordenados em silêncio, em oração e penitência. É aquele que compreende que seguir Cristo exige cruz, renúncia e abandono das vontades pessoais.

Portanto, abandonemos de uma vez o pecado escondido. Abandonemos as ocasiões de queda. Abandonemos conversas impuras, atitudes escandalosas, brincadeiras inadequadas, arrogância espiritual e toda forma de hipocrisia. Não permitamos que o inimigo encontre espaço em nossos corações enquanto carregamos funções sagradas.

Que cada clérigo examine hoje sua própria consciência diante de Deus. Antes de apontar o erro do irmão, olhe para a própria alma. Antes de exigir santidade dos outros, busque a própria conversão. Pois chegará o dia em que não prestaremos contas diante de homens, mas diante do Justo Juiz, que conhece até os pensamentos mais escondidos do coração humano.

Que esta exortação seja recebida com seriedade, temor e espírito de penitência. Ainda há tempo de voltar ao Senhor com sinceridade. Ainda há tempo de abandonar o velho homem e buscar uma vida verdadeiramente santa.

Que Deus tenha misericórdia de todos nós, despeço-me.

 Edgard Costa CARDEAL BERGOGLIO
Praefectus

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