Aos veneráveis irmãos no episcopado, aos presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, e a todos os fiéis leigos, graça, paz e a bênção de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Com sincera tristeza recebemos a notícia das sagrações episcopais realizadas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X sem o mandato do Romano Pontífice. Não podemos aprovar tal decisão, pois ela constitui um grave ato de desobediência à Sé Apostólica e fere a comunhão visível da Igreja. Ainda que reconheçamos as dificuldades enfrentadas pela Igreja em nossos dias e as preocupações que motivaram tal gesto, estamos convencidos de que nenhuma crise justifica afastar-se da obediência devida ao Sucessor de São Pedro. Os momentos de provação exigem de nós maior fidelidade, e não iniciativas que aprofundem as divisões.
Antes de tudo, reconhecemos que as referidas sagrações, tendo observado os elementos essenciais requeridos pela Igreja, são sacramentalmente válidas. Por isso, os bispos assim sagrados devem ser respeitados em sua dignidade episcopal. Nossa desaprovação ao ato de desobediência jamais poderá transformar-se em desprezo pelas pessoas. Exortamos todos os fiéis a rejeitarem palavras de ódio, escárnio ou perseguição, elevando fervorosas orações por esses bispos e por toda a Fraternidade, para que o Espírito Santo conduza todos à plena comunhão com a Sé Apostólica. Ainda que tenham sido atingidos por sanções canônicas, não deixam de ser objeto de nossa caridade e de nossas súplicas, pois o desejo da Igreja é sempre a reconciliação.
Seria, porém, igualmente grave se, ao lamentarmos um ato de desobediência, fechássemos os olhos para os males que afligem a Igreja em nossos dias. Reprovamos toda forma de modernismo que, afastando-se da integridade da fé católica, busca adaptar o depósito sagrado da Revelação ao espírito mutável do mundo. A verdade confiada por Cristo à sua Igreja não está sujeita às modas, às ideologias ou às conveniências de cada época; ela permanece a mesma ontem, hoje e sempre.
Condenamos toda prática meramente humana que obscureça a glória de Deus e enfraqueça a reverência devida às coisas santas: a banalização da Sagrada Liturgia, as inovações arbitrárias contrárias às normas da Igreja, a negligência na transmissão íntegra da doutrina, o abandono da disciplina eclesiástica, os abusos que desfiguram a celebração dos santos mistérios e toda ação pastoral que substitua a conversão pelo desejo de agradar ao mundo. A Igreja não deve conformar-se ao século presente, mas permanecer fiel à missão recebida de seu Divino Fundador.
Reconhecemos, com dor, que existem falsos trabalhadores e maus pastores que confundem o povo de Deus, escandalizam os fiéis e enfraquecem o testemunho da Igreja. Também por eles devemos rezar, pedindo ao Senhor que converta seus corações, fortaleça os pastores fiéis e suscite ministros segundo o Seu Coração. Todavia, a existência desses males não autoriza ninguém a romper a unidade da Igreja nem a afastar-se da comunhão com o Romano Pontífice.
Exortamos especialmente os bispos a guardarem com coragem a integridade da fé, a celebrarem dignamente os santos mistérios e a permanecerem unidos à Cátedra de Pedro. Este é um tempo em que a Igreja necessita de testemunhos de fidelidade, humildade e comunhão. A verdadeira resistência aos erros de nosso tempo consiste em conservar intacto o depósito da fé, permanecer em plena comunhão com a Sé Apostólica e viver a caridade que une todos os membros do Corpo de Cristo.
Convidamos todo o povo de Deus a intensificar as orações pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X, por seus superiores, sacerdotes, religiosos, seminaristas e fiéis, para que, iluminados pelo Espírito Santo, possam caminhar rumo à plena comunhão eclesial. Rezemos igualmente pelo Santo Padre, por todos os bispos e por toda a Igreja, para que, purificada de seus pecados e fortalecida pela graça divina, permaneça una, santa, católica e apostólica até a vinda gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Confiamos estas intenções à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, e dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, implorando que obtenham para todos nós a graça da fidelidade, da fortaleza e da perseverança na única Igreja fundada por Cristo.
Dado e passado em Roma, aos três dias do mês de julho, no Ano da Missão de dois mil e vinte e seis, segundo de nosso pontificado, durante o Jubileu Extraordinário de cinco anos de nossa comunidade.
