CARTA ENCÍCLICA
"CARITAS NON SIMULATA"
Sobre divisões e pecados cometidos por comunidade de RP's em Minecraft.
Não ignoramos que, em nossos dias, numerosas comunidades virtuais dedicadas à representação de reinos, impérios e outras autoridades reúnem milhares de participantes no ambiente do Minecraft. Embora constituídas para o entretenimento e a convivência, muitas delas têm permitido que a ficção se torne ocasião de pecados reais. Onde deveria existir respeito, florescem o orgulho, a ira, o ódio, as ofensas e a divisão entre irmãos.
Diante de tão grave desordem moral, não podemos permanecer em silêncio. Nenhum jogo, nenhuma comunidade e nenhuma autoridade virtual justificam comportamentos que Cristo condenou. O pecado não deixa de ofender a Deus porque foi cometido por trás de uma tela. A caridade cristã obriga igualmente no mundo virtual e no mundo real.
1. A caridade não admite fingimento. Quem professa a fé católica deve testemunhá-la não somente no templo, mas também em toda palavra, ação e relacionamento, inclusive nos ambientes virtuais. O cristão jamais deixa de ser discípulo de Cristo diante de uma tela.
2. Condenamos, com toda a firmeza de nossa autoridade apostólica, toda manifestação de ódio, orgulho, ira, vingança, perseguição, humilhação, difamação, calúnia, insulto, obscenidade, maldição, ameaça e linguagem indecente praticada em razão de disputas virtuais. Quem transforma um jogo em motivo para pecar gravemente contra o irmão ofende a Deus, despreza o Evangelho e fere a dignidade da pessoa humana.
3. Reprovamos igualmente aqueles que utilizam cargos de administração ou liderança para alimentar rivalidades, incentivar perseguições, humilhar adversários ou justificar comportamentos indignos. A autoridade, ainda que exercida em ambiente virtual, existe para servir e promover a boa convivência, jamais para fomentar a soberba ou a discórdia. Quem conduz outros ao pecado responderá mais severamente diante do tribunal de Deus.
4. Declaramos inadmissível que comunidades que se apresentam como cristãs, ou que mantêm amizade e comunhão com representações da Santa Igreja, tolerem comportamentos que Nosso Senhor condenou. Não se pode invocar o nome de Cristo e, ao mesmo tempo, cultivar o ódio contra o irmão. Não se pode defender valores cristãos enquanto se pratica aquilo que o Evangelho reprova.
5. Advertimos que o pecado não deixa de ser pecado porque foi cometido na internet. A mentira continua sendo mentira; a calúnia continua sendo calúnia; a blasfêmia continua sendo blasfêmia; o ódio continua sendo ódio. Deus vê o que se escreve em segredo e julga com a mesma justiça as palavras pronunciadas diante da multidão e aquelas escondidas atrás de uma tela.
6. Exortamos todos os fiéis a rejeitarem qualquer comunidade, costume ou prática que incentive a ira, o orgulho e a divisão. Nenhum entretenimento vale a perda da paz da consciência. É preferível abandonar um jogo do que abandonar a caridade.
7. Gravem todos estas palavras em seus corações:
A unidade vence o orgulho.
Unitas vincit superbiam.
Cristo não está dividido.
Christus non est divisus.
Quem divide os irmãos opõe-se Àquele que veio reuni-los. Quem semeia o ódio jamais poderá dizer que serve a Cristo, pois onde reina o ódio, Cristo não reina.
Confiamos esta exortação à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, Rainha da Paz, para que obtenha de seu Divino Filho a conversão dos corações e faça florescer entre todos os fiéis a caridade sem fingimento.
Dado e passado em Roma, aos três dias do mês de julho, no Ano da Missão de dois mil e vinte e seis, segundo de nosso pontificado, durante o Jubileu Extraordinário de cinco anos de nossa comunidade.
✠Pius Pp. II
